20 anos do assassinato de Galdino Pataxó

Ato Inter-religioso, na Praça do Compromisso em Brasília (DF), fará memória dos 20 anos do assassinato da liderança indígena Galdino Pataxó Hã-Hã-Hãe No dia 20 de abril de 2017, às 18 horas na Praça do Compromisso, via W-3 Sul, entre as Quadras 703 e 704, em Brasília (DF), vai acontecer o Ato Inter-religioso em memória dos 20 anos da morte de Galdino Jesus dos Santos. Galdino, indígena do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, foi queimado na madrugada do dia 20 de abril de 1997, quando dormia sob um abrigo de usuários de ônibus, em Brasília. Ele foi vítima de um grupo de cinco rapazes de classe média alta, entre 17 e 19 anos, que com álcool combustível, comprado cerca de duas horas antes do crime, ateou fogo às suas vestes por “brincadeira”.


Galdino foi socorrido e deu entrada em estado de agonia no hospital.
Completamente cego devido as queimaduras nas córneas, mas ainda consciente, conseguiu se identificar à equipe médica e indicar a localização de seus parentes indígenas. Antes de entrar em coma, perguntou repetidas vezes: “Por que fizeram isso comigo?”. Com queimaduras em 95% do corpo, Galdino não resistiu e faleceu às 2 horas da madrugada do dia 21 de abril. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a Rede Ecumênica da Juventude, Conselho Indígena do DF, a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília (CJP-DF), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e o Fórum Ecumênico ACT – Brasil promovem o Ato Inter-religioso
para trazer à memória a história e a vida de Galdino, o Pataxó Hã-Hã-Hãe.

Estarão presentes povos indígenas que farão a dança ritual em homenagem a Galdino, haverá declamação de poesias, testemunhos, reflexões sobre o ódio enfrentado pelos  indígenas brasileiros. O momento também será para reforçar a denúncia da violação dos direitos constitucionais e originários dos indígenas, bem como as políticas anti-indígenas do Estado brasileiro.
Em nosso país, o ódio é racista, mas também é contra a população de rua, mulheres, LGBTs, povo negro. O Ato inter-religioso será um momento de lembrar todas aquelas pessoas que diariamente sofrem violência por causa do racismo, sexismo e do ódio de classe, isso significa, o ódio contra pobre.


Para os povos indígenas o fogo é sagrado e não símbolo de violência, por isso, nesse Ato, será realizado um ritual de ressignificação do fogo. Onde Galdino foi assassinado, iremos afirmar que não foi o fogo que matou Galdino, mas sim o ódio. O fogo segue sendo sagrado e suas chamas convocam a dizer:

Galdino Vive! Chega de intolerância!